terça-feira, 25 de março de 2014

Capítulo Três

“Luna, eu já cheguei. Peguei um taxi até a sua casa, você vai demorar muito?”

Era o que a mensagem do Stefan, eu estava abarrotada de trabalho. De uma hora para outra alguns clipes chegaram para a edição, está tudo bagunçado por aqui. Já são quase quatro horas e acho que hoje só vou embora às seis.

“Stef, pode subir que hoje a mulher que limpa a casa, Jude, está aí. Daqui um pouco mais de uma hora eu chego, se quiser eu peço para Lea ir te fazer companhia, vocês se dão bem, né? Enfim, fique à vontade.”
Mais cedo, um cantorzinho que é modinha chegou aqui fazendo a maior bagunça porque não gostou de como ficou o clipe, e mesmo assim foi lançado. Tivemos que explicar que não somos nós quem lançamos, então ele deveria ter ido ficar bravo com a produção dele, não conosco. Mas ele não entendeu, possivelmente a fama tirou alguns neurônios, e falou que iria nos processar. Quem fez o clipe foi a Penny, só tenho dó dela.

Fiquei terminando todas as coisas que chegaram de uma hora para a outra, e incrivelmente saí de lá antes das seis horas. Antes de ir para casa, passei no mercado e comprei algumas coisas para o jantar, e mais algumas coisas que estava precisando. Cheguei em casa e já eram seis horas.

- Ah, oi gente. – Falei após fechar a porta. Stefan e Lea pareciam desorientados sentados lado a lado no sofá. Ela arrumando o cabelo e ele a blusa.

- Hum… oi. – Ele falou sorrindo e Lea se levantou e foi em direção à cozinha. Eu a segui e coloquei as compras na mesa.

- Não me diga que…

- Ah, ele já tem dezessete anos. Já está grandinho, não é igual como nos vimos na última vez. Ele só tinha dezesseis. – Ela falou na maior cara-de-pau. Eu ri.

- Não acredito nisso. Mas okay, e aí, o que vocês fizeram no meu sofá? – Nunca se sabe o que essa louca pode fazer. Ela sorriu.

- Calma, calma, não fizemos nada disso o que você está pensando. E olha que o carinha tem pegada… Só nos beijamos. – Disse sorrindo – Se ele tiver puxado ao irmão, sorte a sua. – Completou e eu ri.

- Você não tem vergonha, mesmo né? – Ela riu – Vai jantar aqui? – Perguntei enquanto guardava as compras, ela veio me ajudar.

- Não tenho nada melhor pra fazer, então possivelmente.

Eu não tenho muito jeito na cozinha, mas me viro. Hoje vou fazer macarronada com almôndegas, não é uma coisa difícil e também não demora tanto, então era o mais indicado.

- Quer ajuda, Luna? - Stefan apareceu na cozinha.

- Hã? Não, obrigado. Pensando bem, você pode lavar a alface? - Ele assentiu e eu entreguei o pacote de alface.

Coloquei o macarrão no fogo enquanto Lea tagarelava sentada na mesa. De vez em quando Stefan falava algo engraçado que nos fazia gargalhar, Lea como sempre uma palhaça também, então estávamos só risadas. O jantar ficou ótimo, modéstia a parte, e a salada do Stefan também. Depois dele, eles lavaram e guardaram a louça devido o trabalho todo que já tive.

- Eu vou subir, tenho que pesquisar umas coisas pro clipe do Bruno Mars, e fazer mais alguns ajustes que dá pra fazer aqui em casa. Alguém tem algo a dizer? - Perguntei.

- Vou dormir no quarto de hóspedes, certo? Lea já me mostrou onde fica. - Ele sorriu de canto para ela, que subiu os cantos da boca num sorriso safado.

- Aham, vai. E por favor se comportem, tá? Não vou comentar com seu irmão, mas não quero ser madrinha de bebês tão cedo. - Falei e ele riu.

- Você não vai ser madrinha de ninguém porque eu tô indo pra minha casa, tenho que arrumá-la porque essa semana a empregada não vem. Nos vemos amanhã? - A pergunta não foi direcionada, mas pareceu ser para Stefan.

- Claro. Até amanhã. - Ela deu um beijo no canto de sua boca e acenou pra mim. Acenei de volta e só ouvi a porta batendo.

- Luna, você tá fazendo o clipe do Bruno Mars? - Ele perguntou enquanto eu pegava um copo d'água.

- Aham, estou. Por quê?

- Não, nada. É que, você sabe, o cara é maneiro e tal. - Eu resmunguei algo como "sei" ou "hum" e ele foi para seu quarto.

Fui para o meu também, já que ele nem me deu boa noite não vou fazer questão. Stefan é reservado, então deixa ele. Me sentei na cama e peguei o notebook, liguei o wi-fi, porque no prédio tem wi-fi, e fui para o Google.

Pesquisei sobre "Bruno Mars" primeiramente. Li algumas coisas sobre a carreira e vi seus clipes anteriores, na maioria deles eu ainda não trabalhava com o Cameron. E também nem tinha cargo suficiente para dirigir algo, eu era uma mera "ajudante". Acho que o que Cameron está fazendo, isso de me deixar praticamente no comando do próximo clipe, é como uma prova de confiança. É por isso que eu não posso falhar. Todo mundo da produtora sabe que ele tem uma amizade com o Bruno, e o admira muito, e pelo visto isso é mútuo. Se Bruno se decepcionasse, a culpa seria minha, e Cam não gostaria nada disso.

Eu estou animada, pode-se dizer. Eu geralmente trabalho com artistas "pequenos", aqueles que ainda não fazem ou fizeram tanto sucesso. Eu já conhecia o Bruno, quem não conhece o Bruno Mars? Mas parece que há um entusiasmo maior agora. Ele é famoso, estourou com Just The Way You Are, também com muitos outros. Alguns eu estava na faculdade, outros eu já estava trabalhando. Mas comecei realmente a "tomar o controle" das coisas da produtora no fim do ano passado, que foi quando fui promovida de ajudante para diretora de arte. Não me gabando, mas depois de mim só existem mais duas pessoas que podem mandar naquilo tudo. Que é o Cameron e o Mark, que por sinal é um ótimo amigo.

Coloquei uma playlist no computador com músicas do Mars, em algumas me surpreendi com o romantismo e outras com a safadeza. É claro que Bruno não é feio, é bacana, tem um sorriso impressionante e cabelos definitivamente charmosos. Mas é claro que eu não estou interessada nele, além de eu ter namorado, a última coisa que quero fazer no mundo é misturar trabalho com relacionamentos.

Pesquisei algumas atrizes latinas para o clipe, mas nenhuma parecia adequada. Além de que tudo tem que partir do gosto do Bruno, ele é quem sabe de como ele quer o clipe, o elenco, o espaço, tudo. Pensei em pegar seu número, eu precisava falar com ele sobre uma ideia que estava me fazendo cócegas por dentro. Mas isso poderia esperar.

Pesquisei as boates de Strip de Los Angeles e eram muitas, realmente todas distintas umas das outras. Talvez fosse melhor esperar pelo Bruno. É isso. Vou falar com ele na festa, pra levar algumas opções de tudo e minhas ideias organizadas. Eu estava pensando quando uma melodia me desconcentrou, era tipo "you are my treasure, you are my treasure, yeah you you you, you are". Eu sorri e, confesso, dei uma leve dançadinha. Fui dançando até o banheiro para escovar os dentes, escovei os dentes me remexendo, e fui desligar aquela música para poder dormir.

Melodia colante. É como eu chamo essa música. Treasure.

***

- Stef, você vai, né? Não me diga que eu vou ter que ficar sozinha lá. - Perguntei para ele, que estava deitado no sofá.

- Luna, tô morrendo de dor de cabeça. Meu irmão não falou que viria? – Ele já tinha reclamado da cabeça ontem, e mesmo com remédios ela não havia passado. Steven falou que se viesse, chegaria aqui lá pelas onze da noite. Pedi para ele vir, e ele disse que viria.

- Falou, mas ele só vai chegar onze horas ou mais. Lea achou alguma coisa com o pai, que nunca liga pra ela e resolveu aparecer, então o que me resta vai ser ir sozinha. – Me sentei no sofá com as mãos no rosto, desanimada.

- Se colocar as mãos no rosto, vai desmanchar a maquiagem. – Disse ele num tom terno – Você sabe que eu iria, se não fosse essa dor de cabeça medonha que estou, eu iria com você. Você está linda, vá e se divirta um pouco. – Ele sorriu e eu percebi que ele estava falando a verdade, eu não poderia ficar enfurnada dentro de casa só porque eu não teria companhia no trajeto até a festa. Lá provavelmente vai ter alguém, não é possível que eu fique totalmente sozinha.

- Ah, obrigada, Stef. – Eu sorri e ele me surpreendeu com um abraço, que eu retribuí sorrindo. Acho que esse menino está carente por causa da mãe. Eu não digo isso a ninguém, e nem costumo ficar pensando, mas a minha sogra sempre deu preferência ao Steven. Isso é evidente. Desde que começamos a namorar, e pelo visto desde sempre. Com a rejeição parcial da mãe, só lhe restou o pai, e depois que ele se foi, bem, o menino ficou sem chão. Eu e Stev estávamos namorando não fazia nenhum mês quando isso aconteceu, e Stefan chorou mais que qualquer pessoa de 16 anos que eu já vi chorar.

O vento lá fora estava congelante, uma espécie de neblina tomava o chão. Quando saí do elevador, passei pela recepção do prédio, e cheguei em direção à porta o vento soprou jogando meus cachos que estavam soltos sobre os ombros para trás. Eu estava com um vestido de um ombro só, o outro era coberto por uma manga comprida. E curto. Meus sapatos de salto alto que uso só de vez em quando, e quando não estão sendo utilizados pela minha vizinha/melhor amiga.

 A atmosfera estava estranha, parece meio mágico – pensei quando vi os grãos úmidos da neblina brilharem com as lanternas do carro iluminando-as.

Ontem alguém ligou para a produtora de manhã e me deixou o recado com o endereço de Bruno, explicando tudo. A casa dele nem é tão longe da minha, menos de vinte minutos e eu já estava em frente daquele palácio. Se eu achava que já tinha visto casas grandes, essa me surpreendeu. Estacionei o carro atrás de um carro antigo, como aqueles das figurinhas vintages que se veem por aí. Peguei minha bolsa de mão e saí do carro. Parecia que ali estava ainda mais gélido.

Fui caminhando pela calçada cheia de ladrilhos de pedra que brilhavam sob a luz da lua. E que lua, pensei. Ela estava linda hoje, digna de uma foto, cheia como um prato de sopa. Os portões cinza-escuro da casa davam um ar de privacidade exagerada, mas um deles estava aberto. E quanto mais fui me aproximando, pude perceber que alguém estava ali. Caminhei com cuidado para o meu salto-agulha não se enfurnar dentro de uma junta de duas pedras, e eu não passar um mico no meio da rua e na frente da casa do Bruno Mars. Mas felizmente, eu cheguei otimamente bem até o portão.

O cara de óculos grandes e sorriso simpático me esperava ali.

- Oi, Luna. – Me cumprimentou com um beijo no rosto.

- Oi, Philip. – Suspirei discretamente aliviada por me lembrar de seu nome.

- Phil, por favor. – Sorriu – Vem, entra. – Colocou sua mão direita no meu ombro esquerdo, que estava gelado por ser o ombro descoberto.

Passamos por uma garagem iluminada pela luz branca no teto, depois saímos ao ar livre num jardim enorme. A alguns metros a frente estava uma piscina, haviam plantas penduradas nas paredes e muita, mas muita gente.

- Tanta gente assim? Ele não disse que era alguma coisa menor, só pra comemorar o início da produção do clipe? – Perguntei baixo.

- Tanta? Luna, você não deve estar acostumada com festas de famosos. Aqui está realmente pequeno, não tem nada comparado à uma festa grande mesmo. Quando Bruno quer fazer festa grande, metade de Los Angeles cabe dentro disso aqui. – Ele riu, eu sorri.

Fomos caminhando até algumas cadeiras que haviam na área coberta por ali, na parede da área havia uma porta de vidro que provavelmente é a parede do meu quarto, só que de vidro. De onde eu estava sentada, dava para ver um jogo de cozinha totalmente branco e em algumas partes, mármore branco. Eu nunca havia visto mármore branco. Na mesa de centro, estavam algumas lembrancinhas do Havaí, como aquelas que compramos nas viagens dos caras que ficam vendendo em calçadas, os camelôs. 

Mal percebi e Bruno estava ao meu lado, com dois copos de whisky na mão.

- Havaí. Já foi lá? – Olhei pra ele com os olhos arregalados em parte pelo susto, ele sorriu.

- Hã? – Isso, pareça mais ainda uma retardada – Ah, não. Nunca fui. Dizem que lá é lindo. – Ele assentiu e me ofereceu o outro copo em sua mão, eu aceitei.

- E é mesmo... Aliás, já viu o Ryan hoje? Ele estava te procurando. Você trouxe sua amiga?


- Não, para as duas perguntas. Minha amiga foi jantar com o pai que não via a muito tempo, e meu cunhado que disse que viria comigo, estava com uma dor de cabeça horrível e não deu pra ele vir. – Ele coçou a cabeça.

- Cunhado?

- É, o irmão do meu namorado... – Gesticulei com as mãos, girando-as no ar.

- Você tem namorado? – Perguntou olhando as próprias mãos.

- É, tenho. E a propósito, eu queria falar com você sobre a reunião de amanhã. – Comecei, eu tentaria falar pra ele minhas ideias.

- Hum, pode falar.

- Sabe, é que eu estava pensando que...

- Bruno, amorzinho, a bebida acabou naquela garrafa que você nos deu. Onde tem mais? Venha buscar. – Uma moça loira, alta, com pouca roupa e sorriso indecente o abraçou por trás.

- Judith, eu estava conversando com a Luana, mas tudo bem. Vamos. – Se desvencilhou dela – Vou avisar ao Ryan que você está aqui, pode deixar. – Disse isso e saiu sendo arrastado pela Judith.

Alguns minutos depois, Ryan chegou.

- Oi. – Disse sentando-se ao meu lado.

- Oi, Ryan.

- Quer beber alguma coisa? Comer alguma coisa? Dar uma volta pela casa do Bruno? – Ele pareceu um garçom, me segurei para não sorrir – Acho que daqui a pouco o Cam chega, ele disse que daqui da festa já vai viajar. Sabe, com a filha. – Explicou e eu assenti.

- Comer algo não seria má ideia. – Disse e ele sorriu.

- Então vamos, ali no balcão de dentro tem uma tábua de frios. – Adentramos na cozinha enorme e cheia de mármore e madeira brancos. Ele me ofereceu uma tábua com queijos estrangeiros, alguns tipos de peito de peru diferentes e bacon. Achei estranho ter bacon numa tábua de frios, mas não é meu papel achar nada estranho.

Foi quando nos encostamos no balcão alto e duro de pedra, foi que pude observar sua roupa e tudo, e aparentemente ele também. Ele estava com uma calça jeans larga, e tênis All-Star nos pés. E com uma regata um tanto quanto ousada, que continha os dizeres "SEX, DRUGS AND RAP". E o cabelo em trancinhas, foi o que achei mais exótico. Mas gostei.

- Você está linda. – Ele disse sorrindo.

- Ah, obrigado. Você também não está nada mal. – Sorrimos novamente e ficou um clima desconfortável.


Depois de um tempo, fomos para fora. Havia uma rodinha em que só haviam homens, todos juntos, e cantavam. Cantavam alguma música antiga, Elvis talvez, ou então Beatles, não sei. Só cantavam. Pareciam um coral de igreja que se via em filmes, de vez em quando um ou outro desafinava devido a bebida. Mas logo voltavam a cantar como anjos numa capela.

- Rapazes, temos uma dama aqui. Se comportem. – Ryan disse e eles riram.

- Mas quem é a bela donzela? – Um deles perguntou.

- Luna Sanders. A bela donzela que comanda tudo ao lado do Duddy e é a bela donzela quem vai co-produzir o clipe de Gorilla, junto com ele e Bruno. A donzela que manja das edições enquanto tudo o que vocês fazem é cantar e beber. – Houve um coro de "uuuuuuuuh", como se isso fosse uma tirada para o cara que perguntou.


- Obrigada pela apresentação, Ryan. – Disse um pouco mais baixo, não aos quatro ventos, como o índio presente ao meu lado. Eles todos abriram um sorriso pra mim, ao mesmo tempo, depois se olharam e caíram na risada. Foi inevitável não rir.


2 comentários:

Thais Ferrer disse...

Simplesmente amando essa fanfic e super desconfiada desse "namoro perfeito" da Luna, maluca pra saber os babados!
Fico feliz de estar de volta, Carol, sua outra fanfic me conquistou totalmente!
Quero mais!! ♥

Adriana Nunes disse...

Carooooooooou zinha ndouasndisa :p poxa, eu amei mesmo esse capítulo, mas tu tá demorando demais e isso me zanga u.u Bruno tem que tomar uma iniciativa logo de cara, mas também penso no pobre Steven! Tomara que eles se ajeitem direitinho <3 Amei a Lea pedófila dnusayvbdnsamopn

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