- OPA, CHEGUEI! – Bruno entrou falando, um pouco alto, é
verdade. Estava com uma jaqueta azul e branca, aquelas de time de futebol do
colegial, calças camufladas e um óculos de sol.
- E aí? – Phil perguntou, parecia que estava se referindo a
alguma coisa que os dois sabiam o que era. Só os dois.
- Tudo mais que perfeito. – Sorriu.
- Mars, tem batom na sua boca. No canto. – Mark disse e eu
observei o canto da boca dele, e era verdade. Bruno limpou com a mão. – Quem
foi? A Lise?
- Se for aquela secretária ali na frente, foi a Lise. – Ele
sorriu de um jeito safado.
- Isso quer dizer que você se atrasou porque estava pegando
a secretária? – Perguntei, séria. As pessoas tentam ser responsáveis, e ao
invés de ele pelo menos marcar algo para de noite, faz o próprio serviço numa
produtora em que tinha uma reunião. Todo o crédito que ele tinha por ser
simpático, cantar bem e tudo caiu pela metade.
- Basicamente. – Deu um sorriso de canto. Mark balançou a
cabeça para os lados.
- Bruno, se arruma aí para podermos começar a reunião. –
Phil falou e Bruno assentiu. Parecia que Phil é o irmão mais velho e sensato de
Bruno. Bruno passou a mão no cabelo que não via uma escova a algumas semanas e
limpou a boca de novo. Fechou a cara, ficando com uma expressão mais séria. Agora sim, pensei.
- Posso falar uma coisa? – Bruno levantou a mão, como se
estivéssemos na escola e ele, o aluno, pedisse para falar para a professora, no
caso eu. Assenti positivamente. – Bom, eu já sei a atriz que vai atuar no
clipe.
- Achou uma mexicana que queira? – Perguntei.
- Não, ela não é mexicana. Nem sei a descendência dela, só
sei que ela atuou no filme Quem Quer Ser
Um Milionário e… Bem, ela é perfeita. – Eu imaginei qual era o interesse
dele nessa atriz, para ele rebuscar tão lá no fundo. – Se chama Freida Pinto. –
Quando ele terminou de falar, pesquisei o nome no Google. Uma atriz, aqui que
mora aqui em Los Angeles, indiana e bonita. Realmente bonita. Mark se aproximou
de mim e viu a moça no computador, levantou as sobrancelhas e assentiu
sorrindo.
- Boa, muito boa. – Respondi analisando. – Isso é uma coisa
que já decidiu? – Ele assentiu. – Okay, vou entrar em contato com ela ou o
empresário.
- Vai convencer a menina a fazer pole dance, strip-tease,
ficar num carro simulando certas coisas… Tudo? – Phil perguntou para Bruno, eu
acho.
- Tenho certeza que conseguimos. Luna tem uma conversa bem
convincente. – Sorriu para mim.
BRUNO’S POV
Dormi o dia todo e acordei quando faltava quarenta minutos
para a reunião. Passei na casa do Phil e fomos encontrar a bela donzela. É como
os meninos chamam a Luana agora, acho que eles gostaram dela. Cheguei na
produtora e aquela moça linda que foi levar o café para Luana na terça estava
ali, sorri pra ela, ela sorriu pra mim. Achei isso um sinal. Então mandei Phil
para a sala de reuniões e avisei que já iria.
Fui imperceptivelmente para o corredor, e alguns segundos
depois ela apareceu. Não aconteceu nada demais, mas ontem eu não fiquei com
ninguém, então nos beijamos. Borrei seu batom, beijei-a até cansar, depois
disse que precisava ir para a reunião e saí. Essa é a melhor parte: sair. Luana
não pareceu satisfeita pelo meu atraso, mas é claro que eu tinha um bom motivo.
Pareceu que eu estava terrivelmente errado, ela me olhou
daquele jeito que minha mãe olhava quando eu fazia algo errado na infância,
aquele que faz você se arrepender do que fez. Mas eu não me arrependi, só me
incomodei um pouco. Quando ela me olhou com uma cara de “isso o que você fez
não é nada legal, você só sabe fazer merda” eu me senti meio inferior. Mas é
claro que eu não sou inferior a ela, estamos no mesmo nível. Só que eu não
tenho olhos verdes.
- Sabe, eu fui naquela terça-feira em que fizemos a primeira
reunião, eu fui andar por aí de noite. Nuns dois clubes de strip. – Contei a
eles sobre a terça em que fui fazer umas pesquisas. Luana me deu um olhar de
aprovação, é incrível como ela conversa com o olhar, se expressa por ele. Isso
dá um pouco de medo.
- E nem me convida? – Phil perguntou com a mão no peito,
fazendo todos rirem.
- Ótimo, já está pensando no cenário. Decidiu algo? – Luana
me perguntou olhando para o computador.
- Não, ainda não. Mas, deu pra ver bastante coisa. Como as
pessoas que vão lá, são caras estranhos e geralmente mostram canivetes ou armas
pra fora dos bolsos. Têm cara de bandidos, mas parecem boa gente. – Se têm cara
de bandido, como podem parecer boa gente? Frase idiota a minha. – As mulheres
são lindas e com corpos maravilhosos. É um mundo que, se eu fosse pobre, era lá
que eu estaria. Meio místico, com um ar de mistério – Se eu fosse pobre. Engraçada frase. Nunca pensei se eu fosse pobre,
mas aquele povo sim é feliz.
- Filosofando sobre clubes de strip, o outro lado de Bruno
Mars. – Um cara que veio só pra observar, mais faz-nada que o Ryan, acho que
Mark, falou baixo como se não fosse pra ninguém ouvir, mas ouvimos.
Luana e
Phil riram, eu apenas dei um sorriso amarelo.
Luana e seus olhares novamente. Ela me olhou, como se
tentasse descobrir como eram esses lugares pelos meus olhos. Tentando ver algo
diferente. Ela provavelmente nunca foi num lugar desses, não faz muito a cara
dela.
- Você não está em turnê? – Luana perguntou depois de um
tempo de digitação, ainda olhando para a jeringonça dela.
- Estou, começou mês passado. Mas agora tiramos uma mini-folga,
só pra produzir o clipe, porque o próximo show será daqui dois dias só. Por
isso, temos que produzir o clipe mais rápido. – Respondi, Phil me olhou e não
disse nada. Deve ter algum desenho obsceno na minha cara pra todo mundo ficar
me olhando hoje, porque olha.
- Ah, sim. – Ela respondeu. Mark resmungou alguma coisa
sobre café e saiu da sala. – Sabe, você pode me mandar o endereço dessas boates
de strip? Eu queria ver como são, eu vou fazer o cenário também então eu preciso saber como são.
- Eu também vou. – Phil ergueu a mão e ela sorriu para ele.
- Sem problemas. Por que não vamos todos? Cameron volta na
segunda, na terça à noite, podemos ir todos. – Sugeri, no final de semana teria
shows, mas na terça-feira não haveria problemas.
- Hum, okay. Olha, o que já temos certo é isso aqui. – Virou
o computador para mim, mostrou fotos uma escrita "Bruno Mars", depois
“presenta” e outra "Gorilla" que é o que já tínhamos feito. Mas
estavam com efeito sonoro de gorilas, ou macacos, mas acho que gorilas. Uma
macacada. Depois apareceu na tela um desenho, que aparentemente sou eu, olhando
para a câmera. Num palco. – É só.
- Olha, eu tô pensando nesse clipe faz muito tempo, até
porque essa é a melhor música do meu CD.
Já sei como vai acontecer, já tenho uma ideia certa de tudo. Seria bem
mais fácil se apenas pensássemos nisso agora, entendeu? – Ela piscou várias
vezes.
- Então diga, Bruno Mars, quais são as suas ideias. – Disse
calmamente. Eu expliquei tudo a ela, desde o começo com as mulheres conversando
sobre quem levaria o moço (no caso eu) e que a outra stripper me queria. O dono
chegaria e chamaria a outra, a que elas não queriam que fosse. Ela iria lá e
dançaria no pole, depois com os efeitos e tudo. E claro, a parte do carro.
- Uau.
– Colocou as mãos para cima depois de eu terminar, mas falou num tom não
totalmente admirado, estava mais surpresa por eu ter pensado nisso, eu acho. –
Okay, Bruno. Vamos fazer isso. –
Terminou, afinal.
Eu sorri alegre. É claro que é uma ótima ideia, uma
maravilhosa ideia. Ela gostou, Phil gostou, eu gostei. Só falta saber o que
Cameron irá achar, mas provavelmente também irá adorar. Phil sugeriu que
fôssemos beber água, pois ele estava com sede. Saímos os três e fomos beber
água, o único problema é que eu me esqueci da moça de mais cedo, e ela não. Saí
e a recepcionista já veio atrás de mim, olhei com os olhos esbugalhados para
Phil mas ele não fez nada. A moça começou a sussurrar sobre quando nos veríamos
de novo.
Fui salvo pela reunião que estava começando de novo, Phil me
chamou e literalmente me arrastou para a sala. Suspirei quando cheguei lá
dentro.
- Cara, o que aquela mulher tem? – Phil perguntou, estávamos
sozinhos ainda.
- Acho que ela não sabe o que é dar uns amassos. Se ela
fizer isso cada vez que me ver, não posso mais voltar aqui. Estou fe...
- O que você fez com a Lise? Ela veio pra cima de mim
perguntando sobre você – Luana entrou dizendo, segurou a porta e Mark passou, e
depois fechou-a.
- Eu não fiz nada. Não se pode mais dar uns amassos em
alguém e ela já pensa que vocês vão ficar grudados para sempre. Meu Deus. –
Falei enquanto me sentava. Phil balançou a cabeça.
- Vamos continuar logo? Já chega de recepcionistas
obcecadas. – Luana falou seca.
- Então vamos. – Falei.
LUANA'S POV
- Cheguei! – Avisei quando abri a porta. Minha voz fez eco.
- Ei, ele acabou de dormir. Não grite. – Stev veio e me deu
um selinho. – Como foi a reunião? – Se sentou no sofá, e eu me sentei ao seu
lado, tirando os sapatos.
- Fora pelo Mars ter dado uns pegas na Lise, tudo correu
bem.
- Na Lise? A recepcionista? – Ele falou meio rindo.
- Acredite se quiser, ele não perde uma nem no local de
trabalho. – Ele riu. – Mas e o Stefan, como vai? – Perguntei.
- Ah, ele vai ficar bem. Teve uma virose, nada de tão grave assim. Mas tem que ficar de
repouso. E comer coisas leves. E aquela baboseira toda. – Assenti e continuei
meu caminho até o quarto. Apontei para ele que ia tomar banho, e ele se jogou
no sofá.
Joguei a bolsa em algum canto e fui para o banheiro. Tomei
um banho ligeiramente rápido, e quando saí, passei óleo no corpo. Em pouco
tempo, Steven apareceu na porta.
- Que cheiro bom, princesa. – Falou entrando no quarto.
- Obrigada. – Sorri e fui ao seu encontro. Ele segurou em
minhas costas e me levantou no ar para um beijo rodado, adoro quando ele faz
isso. Me sinto aquelas adolescentes de filmes, em que os namorados jogadores de
futebol americano pegam as mocinhas no colo e a giram enquanto beijam-nas.
Steven é como meu ar, o que preciso todos os dias. Somos
ótimos juntos, em todos os aspectos. Ele também é ótimo, digamos, em todos os
aspectos. Nos combinamos, ele é sempre um cavalheiro, e eu me faço de mocinha
perto dele. Não sei, me sinto um pouco mais frágil sabendo que alguém irá
cuidar de mim. Eu me sentia bem. Me sentia maravilhosa,
na verdade. Sentir-se desejada, amada, tudo isso, é isso.
Steven me preenchia, um vazio que havia dentro de mim. Não
há um porque, mas sempre achei que as pessoas precisam ser preenchidas, e aqui
está ele. Ele sempre me preencheu, e de novo, e de novo, e nessa noite não foi
diferente. Sentir-se em seus braços era levitar colada ao chão, era subir ao
paraíso.
E eu era dele. E ele era meu. E os dois sabíamos disso, a noite toda…
- Amor. Luna, ei, acorda. Amooor. – Fui balançada de um lado para o outro. Abri os olhos e
ele me olhava profundamente, sorrindo. Aqueles olhos castanho-claros, lindos,
como madeira branca importada.
- Bom dia. – Estiquei os braços para cima e fiz uma careta,
me espreguiçando. Olhei para o meu corpo e estava apenas com as roupas íntimas,
um conjunto de renda cor creme. Ele estava com uma samba-canção cinza mostrando
sua barriga definida.
- Está tão linda. Assim. Sem maquiagem, sem aquelas coisas
todas falsas e coloridas que as mulheres passam no rosto. Você é tão linda ao
amanhecer. – Piscou. Ele sempre é assim, sempre falando coisas lindas.
- Ah, Stev… - Me deu um selinho. – Só você pra falar isso de
uma mulher nesse estado, porque eu devo estar descabelada. – Ele riu, me
fazendo rir.
- Temos que levantar. Ver o Stefan, comer alguma coisa… Na
sexta-feira você entra mais tarde, né? – Perguntou.
- É. Vamos. Vai tomar banho enquanto eu arrumo a cama e o
resto da bagunça do quarto, depois eu vou. – Ele me deu mais um selinho e se
levantou e caminhou até o banheiro. Fechou a porta e enquanto eu arrumava a
cama, poucos segundos depois, ouvi o chuveiro derramando água.
Arrumei tudo. A cama, o tapete, as roupas espalhadas, e todo
o resto que estava bagunçado. Coloquei um vestido leve de ficar em casa. Depois,
fui para a cozinha. Dei um pulo quando cheguei lá.
- Faz mais de anos que eu quase sempre tô aqui na sua
cozinha e você ainda se assusta… - Lea riu.
- Eu sei. Mas não tem como, eu sempre acho que é alguém
estranho enquanto é só a folgada da minha amiga.
- Olha, não me chame de folgada que eu me ofendo. – Fez
biquinho.
- Se eu te ofender você vai embora? – Perguntei e ela riu.
- Não. – Rimos juntas. – E aí, como foi a noite, hein? – Ela
levantou as sobrancelhas duas vezes seguidas rapidamente e deu um sorriso
malicioso.
- Cuida da tua vida, okay? Já ta querendo saber demais. –
Falei em tom tentando parecer bravo. Ela riu.
- Tá bom, mas então não conto uma novidade que eu tenho. –
Mostrou a língua e abriu uma lata de coca.
- Coca-Cola logo cedo? Tsc Tsc Tsc. Mas vai logo, conta a
novidade. – Ela balançou a cabeça.
- Na-na-ni-na-não. – Eu ri.
- Vai logoooooo! – Fiz birra, ela riu e assentiu.
- Tá, tá, eu conto. Uma amiga nossa vai vir morar comigo. –
Falou sorrindo e bateu palmas saltitante.
- Uma amiga nossa? – Perguntei. – Qual?
- Ela é minha prima. Lembra daquela garota que estava comigo
quando nos conhecemos? E vocês ficaram amigas até, só que aí ela foi morar no
Brasil e perdemos o contato? – Meditei um pouco. Quem será?
- Espera. Hmmm… - pensei um pouco - Quem será? Hmm… - pensei
de novo e puxei uma golfada de ar fazendo um barulho estranho no peito – A
Cris! – Falei com os olhos arregalados.
- Ela mesma! – Sorriu. – Vamos ter mais uma companheira! –
Ela estava evidentemente feliz. Sorri. Seria bom ter mais alguém, quanto mais
melhor.
- Carolis is baaack, então comentem para ela ou eu paro de postar, ok? Espero que gostem. Até logo <33