terça-feira, 25 de março de 2014

Capítulo Um

- Cameron arranjando trabalho de novo? – Lea perguntou, ela não se dava muito bem com ele.

- Eu teria trabalho de qualquer jeito, sorte que hoje eu entro mais tarde e só vou nessa reunião. Depois da reunião ainda tenho que terminar de ajustar um clipe com alguma cantora que eu esqueci o nome. – Respondi pegando uma maçã e voltando para meu quarto, provavelmente ela ficaria aqui até não ter mais nada o que fazer.

- Ei, eu aprendi a fazer ovos mexidos. Vamos almoçar ovos mexidos? – Isso seria mais apropriado para o café da manhã, mas eu acordei onze horas então não tomei café.

- Aprendeu assistindo TV né? Tá bom, pode ser. – Gritei de volta.

Sentei na minha cama, depois de arrumá-la, e peguei meu celular. Entrei no Twitter. Mark estava reclamando da vida ali. Mark é meu colega de trabalho e sala, ele só dava ideias para os clipes. E esse em especial, lhe fez subir de cargo.

- Como estou? Horrível demais? – Perguntei chegando à sala, Lea estava deitada assistindo TV.

- Está linda, como sempre. Aliás, esse blazer será roubado assim que sair do seu corpo. Te deixa mais séria, não com essa cara de debochada que você tem naturalmente. – Dei o dedo do meio e ela riu. Eu estava com uma calça social preta e uma camisa transparente preta e branca listrada, e com um blazer azul marinho.

- Então eu já vou indo, são quase duas horas, e se eu pegar trânsito eu tô ferrada. – Peguei minha bolsa e o celular, mandei beijos no ar e ela retribuiu. Sorri ao pensar na figura dela todo dia no meu apartamento enquanto olhava para a porta do seu bem na minha frente.

Cumprimentei o porteiro e fui para o estacionamento pegar meu carro. Alguns minutos depois eu já estava a caminho da produtora, liguei o rádio e estava tocando uma música animada. Depois o locutor disse que se chamava “Treasure”, mas eu não ouvi o nome do cantor. Alguém buzinou estridentemente para uma moto que o ultrapassara. Aquela música ficou colada na minha mente, fiquei cantarolando-a o caminho todo e quando cheguei também.

- Bom dia, Tally. – Cumprimentei o porteiro.

- Bom dia, Luana. – Respondeu sorridente, sempre que eu chegava ele estava ali. Nunca o vi faltar, isso é admirável.

Trabalhar no décimo terceiro andar de um prédio gigante não é tão legal quanto parece, ainda mais quando o elevador não é dos mais rápidos. Entrei no elevador ainda sozinha. No quarto andar entrou um homem quarentão de cara fechada; depois no sexto entrou uma moça com uma saia curta e um grande decote, o homem olhou para ela e sorriu. A pessoa mais agradável que entrou no elevador foi um loiro alto que dominou o ambiente com seu perfume forte e amadeirado, suspirei antes de sair dali e andei.

Olhei no relógio e eram duas e dez. Andei um pouco mais rápido. As pessoas me cumprimentavam com “oi Luna” ou “oi Luana” pelo caminho, eu respondia oi sem prestar atenção. Quando finalmente cheguei à porta fechada respirei aliviada calmamente e repeti para mim mesma que tudo iria dar certo. Tudo deu tão certo, que a porta não queria abrir. Emperrou. Girei a maçaneta e a empurrei, mas ela não ia, empurrei e empurrei até que ela se abriu de uma vez me fazendo tropeçar para frente.

Na mesa estavam três homens. Um com os cabelos negros num coque no alto da cabeça, barba rala debaixo do queixo, musculoso com uma tatuagem no ombro esquerdo. Receio já conhecê-lo; o outro com a pele mais escura dos três, um chapéu, óculos com grandes armações e sorriso simpático; o último estava com o cabelo bagunçado num afro, olhos grandes e expressivos, pele bronzeada, quando falava revelava covinhas, e quando sorriu ao me ver, revelou-as de novo.

- Você está bem? – O moreno de óculos grandes perguntou. Senti minhas bochechas queimarem.

- Sim, sim, obrigado. – Passei a mão nos cabelos tentando arrumá-los, eles pareceram estar arrumados. Sentei ao lado do cara musculoso, onde será que Cameron se meteu?

Me sentei e ouvi algumas risadas silenciosas, deviam estar contando piadas entre eles.  Annelise entrou na sala trazendo um café do Starbucks, respirei aliviada. O clima não estava legal, os três falando baixo entre si e eu ali com cara de pamonha.

- Oi, Luna. – Me cumprimentou e se abaixou ao meu lado, vi o olhar do carinha de cabelo cacheado olhar seu corpo.

- Oi, Lise. – Ela me entregou o café, café puro como sempre – Ah, obrigada.

- De nada, Cameron parece que vai se atrasar um pouco. Ainda não ligou, mas parece que vai chegar atrasado. Ele teve que sair correndo por causa de alguém que precisava ir ao hospital, nem avisou ninguém. - Ela falou explicando e depois saiu. 

O homem que a olhava começou a cantarolar baixinho enquanto batucava com os dedos na mesa, eu reconheci aquela música imediatamente.

- Ei, é você quem canta essa música, não é? – Ele me olhou sem entender – Hmm… Treasure! Isso, se chama Treasure. – Ele sorriu.

- Ah sim, eu canto. O clipe dessa música saiu não faz nem um mês. Mas… Não lembro de você. – No mês passado eu estava de férias, então é obvio o porquê de não nos lembrarmos um do outro.

BRUNO’S POV

Finalmente, tive uma folga de todas as entrevistas e shows para vir preparar o clipe de Gorilla. Amanhã mesmo tenho show em outro estado, mas vim aqui na produtora para definirmos o começo de tudo. Já tenho tudo na mente, vai ser fantástico. Essa música é fantástica, a melhor que já escrevi minha vida toda. 

Ela ao vivo também é uma ótima performance, gosto da pirotecnia dela. E hoje, marquei uma reunião com o Cameron Duddy para conversarmos e marcarmos as gravações, discutir atrizes, tudo.

Chamei o Phil, Ryan não tinha academia hoje e falou que ia me acompanhar porque ele precisava saber das coisas por ser meu assistente pessoal. Concordei de certa forma, ele é meu assessor realmente. Dormi a manhã inteira, ontem fui a uma festa e cheguei bem tarde, então só acordei pra comer uma maçã e passei no apartamento do Ryan para pegá-lo. Encontrei Phil na frente do prédio e fomos os três lá pra cima, Cameron não estava ali, mas uma moça nos encaminhou até uma sala de reuniões.

Ficamos os três sentados sozinhos lá, Ryan falando sobre a mulher que ficou na semana passada que ainda estava o perseguindo e ele não tinha muita ideia de como despachá-la porque ela era gostosa demais. Phil falou sobre Urbana, que ela estava desconfiada que ele estava a traindo e estava mal-humorada nessa semana. Apesar de todas as mulheres que vem até nós todas as noites em que saímos, e de vez em quando até quando não saímos, ele não fica com elas. Só os solteiros da banda aproveitam, e Dwayne de vez em quando. Eu fiquei só ouvindo os dois, pensando sobre o que faríamos e quando Cameron ia chegar.

Ryan chamou a nossa atenção para a porta, ele falou que estava ouvindo barulhos. E realmente, a porta abriu de uma vez e entrou uma mulher aos tropeços. Ela estava com uma calça social, uma camisa quase transparente e um blazer. Ela não percebeu, mas eu espremi os olhos para ver se captava algo debaixo da camisa, sem sucesso. Phil perguntou se estava tudo bem e ela falou que sim, estava com as bochechas bem coradas. Ryan cochichou entre nós que a conhecia de algum lugar enquanto ela caminhava até a cadeira, ela cruzou as pernas e os três olharam ao mesmo tempo, mesmo ela estando de calça, rimos silenciosamente.

Uma moça chegou com um café, que corpo, que curvas, meu Deus do céu. Ela se agachou e os três olhamos novamente, ela avisou que Cameron iria se atrasar e depois saiu novamente. Comecei a cantarolar e batucar na mesa, a moça que estava conosco reconheceu a música, parecia que acabou de descobrir que eu sou o cantor dela.

- Bom, acho que como o Cameron irá se atrasar, é melhor começarmos. – Falou depois de parar de sorrir ao me ouvir cantar.

- Okay, vamos começar. – Phil concordou, eu também. Ryan não tirava os olhos dos seus peitos, eu o cutuquei por debaixo da mesa.

- O que você tem em mente para o clipe de… Gorilla, a música chama Gorilla né? – Perguntou e eu assenti.

- Eu estava pensando numa boate, uma boate de strip-tease. Eu e minha banda iríamos cantar lá, e depois… Bem, depois eu ainda não resolvi muito bem. – Falei o que eu pensava, na verdade eu estava pensando em algum beco ou quarto, talvez um camarim. Eu e a modelo lá, fazendo amor igual Gorilas. Mas a mídia não iria gostar tanto assim.

- Eu li a letra da música, já ouvi também, muito boa. Senhor Bruno Mars, depois, o que você estava pensando que ainda não resolveu? Bem, eu não sei o que você quer. – Ela parecia muito mais séria do que aquela menina que entrou tropeçando na sala.

- Ele estava pensando em dar uns amassos na modelo depois, alguma coisa mais fogosa. – Ryan falou antes de mim, me senti desconfortável com o olhar que ela jogou sobre mim.

- Bruno, por favor. – Referi-me a ela me chamar de “Senhor Bruno Mars” – E é verdade, eu estava pensando em algo assim. Talvez em algum canto qualquer da boate. – Ela surpreendentemente sorriu.

- Ótimo. E se… Eu estava pensando, e se fosse num carro? Me veio essa ideia agora. – Ela falou. Achei ótima a ideia, um carro. Um carro, eu e alguma mulher linda que acabou de ficar seminua num palco nos pegando num carro.

- Qual o seu nome mesmo? – Ryan se intrometeu de novo.

- Luna. Luana Sanders. – Disse e sorriu. Luna. Repeti o nome para mim mesmo.

- Na verdade, Luna, achei essa ideia ótima. – Cameron entrou falando, ela sorriu brevemente. Ele me cumprimentou com um aperto de mão, Ryan e Phil também. – Então, garotão, com planos de pegar alguma modelo por aí? – Ele perguntou e eu ri.

- Vai ser tudo técnico, você sabe. – Falei sorrindo.


- Olha, já comecei a planejar aqui no notebook. – Luna nos mostrou uma imagem com o fundo todo vermelho, e depois nos mostrou uma palheta de letras. Os meninos ajudaram e acabamos por escolher uma letra mais rústica, parecia madeira. Disse que no começo tocari aquele toque da bateria e o grito de um gorila. Ela escreveu “Bruno Mars”, mudou a cor de fundo para preto. E escreveu  “Gorilla”.


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