“Luna, eu já cheguei. Peguei um taxi até a sua casa, você vai demorar
muito?”
Era o que a mensagem do Stefan, eu estava abarrotada
de trabalho. De uma hora para outra alguns clipes chegaram para a edição, está
tudo bagunçado por aqui. Já são quase quatro horas e acho que hoje só vou
embora às seis.
“Stef, pode subir que hoje a mulher que limpa a casa, Jude, está aí.
Daqui um pouco mais de uma hora eu chego, se quiser eu peço para Lea ir te
fazer companhia, vocês se dão bem, né? Enfim, fique à vontade.”
Mais cedo, um cantorzinho que é modinha chegou aqui fazendo
a maior bagunça porque não gostou de como ficou o clipe, e mesmo assim foi
lançado. Tivemos que explicar que não somos nós quem lançamos, então ele
deveria ter ido ficar bravo com a produção dele, não conosco. Mas ele não
entendeu, possivelmente a fama tirou alguns neurônios, e falou que iria nos
processar. Quem fez o clipe foi a Penny, só tenho dó dela.
Fiquei terminando todas as coisas que chegaram de uma hora
para a outra, e incrivelmente saí de lá antes das seis horas. Antes de ir para
casa, passei no mercado e comprei algumas coisas para o jantar, e mais algumas
coisas que estava precisando. Cheguei em casa e já eram seis horas.
- Ah, oi gente. – Falei após fechar a porta. Stefan e Lea
pareciam desorientados sentados lado a lado no sofá. Ela arrumando o cabelo e
ele a blusa.
- Hum… oi. – Ele falou sorrindo e Lea se levantou e foi em
direção à cozinha. Eu a segui e coloquei as compras na mesa.
- Não me diga que…
- Ah, ele já tem dezessete anos. Já está grandinho, não é
igual como nos vimos na última vez. Ele só tinha dezesseis. – Ela falou na
maior cara-de-pau. Eu ri.
- Não acredito nisso. Mas okay, e aí, o que vocês fizeram no
meu sofá? – Nunca se sabe o que essa
louca pode fazer. Ela sorriu.
- Calma, calma, não fizemos nada disso o que você está
pensando. E olha que o carinha tem pegada… Só nos beijamos. – Disse sorrindo –
Se ele tiver puxado ao irmão, sorte a sua. – Completou e eu ri.
- Você não tem vergonha, mesmo né? – Ela riu – Vai jantar
aqui? – Perguntei enquanto guardava as compras, ela veio me ajudar.
- Não tenho nada melhor pra fazer, então possivelmente.
Eu não tenho muito jeito na cozinha, mas me viro. Hoje vou
fazer macarronada com almôndegas, não é uma coisa difícil e também não demora
tanto, então era o mais indicado.
- Quer ajuda, Luna? - Stefan apareceu na cozinha.
- Hã? Não, obrigado. Pensando bem, você pode lavar a alface?
- Ele assentiu e eu entreguei o pacote de alface.
Coloquei o macarrão no fogo enquanto Lea tagarelava sentada
na mesa. De vez em quando Stefan falava algo engraçado que nos fazia gargalhar,
Lea como sempre uma palhaça também, então estávamos só risadas. O jantar ficou
ótimo, modéstia a parte, e a salada do Stefan também. Depois dele, eles lavaram
e guardaram a louça devido o trabalho todo que já tive.
- Eu vou subir, tenho que pesquisar umas coisas pro clipe do
Bruno Mars, e fazer mais alguns ajustes que dá pra fazer aqui em casa. Alguém
tem algo a dizer? - Perguntei.
- Vou dormir no quarto de hóspedes, certo? Lea já me mostrou
onde fica. - Ele sorriu de canto para ela, que subiu os cantos da boca num
sorriso safado.
- Aham, vai. E por
favor se comportem, tá? Não vou comentar com seu irmão, mas não quero ser
madrinha de bebês tão cedo. - Falei e ele riu.
- Você não vai ser madrinha de ninguém porque eu tô indo pra
minha casa, tenho que arrumá-la porque essa semana a empregada não vem. Nos
vemos amanhã? - A pergunta não foi direcionada, mas pareceu ser para Stefan.
- Claro. Até amanhã. - Ela deu um beijo no canto de sua boca
e acenou pra mim. Acenei de volta e só ouvi a porta batendo.
- Luna, você tá fazendo o clipe do Bruno Mars? - Ele
perguntou enquanto eu pegava um copo d'água.
- Aham, estou. Por quê?
- Não, nada. É que, você sabe, o cara é maneiro e tal. - Eu
resmunguei algo como "sei" ou "hum" e ele foi para seu
quarto.
Fui para o meu também, já que ele nem me deu boa noite não
vou fazer questão. Stefan é reservado, então deixa ele. Me sentei na cama e
peguei o notebook, liguei o wi-fi, porque no prédio tem wi-fi, e fui para o
Google.
Pesquisei sobre "Bruno Mars" primeiramente. Li
algumas coisas sobre a carreira e vi seus clipes anteriores, na maioria deles
eu ainda não trabalhava com o Cameron. E também nem tinha cargo suficiente para
dirigir algo, eu era uma mera "ajudante". Acho que o que Cameron está
fazendo, isso de me deixar praticamente no comando do próximo clipe, é como uma
prova de confiança. É por isso que eu não posso falhar. Todo mundo da produtora
sabe que ele tem uma amizade com o Bruno, e o admira muito, e pelo visto isso é
mútuo. Se Bruno se decepcionasse, a culpa seria minha, e Cam não gostaria nada
disso.
Eu estou animada, pode-se dizer. Eu geralmente trabalho com
artistas "pequenos", aqueles que ainda não fazem ou fizeram tanto
sucesso. Eu já conhecia o Bruno, quem não conhece o Bruno Mars? Mas parece que
há um entusiasmo maior agora. Ele é famoso, estourou com Just The Way You Are,
também com muitos outros. Alguns eu estava na faculdade, outros eu já estava
trabalhando. Mas comecei realmente a "tomar o controle" das coisas da
produtora no fim do ano passado, que foi quando fui promovida de ajudante para
diretora de arte. Não me gabando, mas depois de mim só existem mais duas
pessoas que podem mandar naquilo tudo. Que é o Cameron e o Mark, que por sinal
é um ótimo amigo.
Coloquei uma playlist no computador com músicas do Mars, em
algumas me surpreendi com o romantismo e outras com a safadeza. É claro que
Bruno não é feio, é bacana, tem um sorriso impressionante e cabelos
definitivamente charmosos. Mas é claro que eu não estou interessada nele, além
de eu ter namorado, a última coisa que quero fazer no mundo é misturar trabalho
com relacionamentos.
Pesquisei algumas atrizes latinas para o clipe, mas nenhuma
parecia adequada. Além de que tudo tem que partir do gosto do Bruno, ele é quem
sabe de como ele quer o clipe, o elenco, o espaço, tudo. Pensei em pegar seu
número, eu precisava falar com ele sobre uma ideia que estava me fazendo
cócegas por dentro. Mas isso poderia esperar.
Pesquisei as boates de Strip de Los Angeles e eram muitas,
realmente todas distintas umas das outras. Talvez fosse melhor esperar pelo Bruno.
É isso. Vou falar com ele na festa, pra levar algumas opções de tudo e minhas
ideias organizadas. Eu estava
pensando quando uma melodia me desconcentrou, era tipo "you are my treasure, you are my treasure,
yeah you you you, you are". Eu sorri e, confesso, dei uma leve
dançadinha. Fui dançando até o banheiro para escovar os dentes, escovei os
dentes me remexendo, e fui desligar aquela música para poder dormir.
Melodia colante. É como eu chamo essa música. Treasure.
***
- Stef, você vai, né? Não me diga que eu vou ter que ficar
sozinha lá. - Perguntei para ele, que estava deitado no sofá.
- Luna, tô morrendo de dor de cabeça. Meu irmão não falou
que viria? – Ele já tinha reclamado da cabeça ontem, e mesmo com remédios ela
não havia passado. Steven falou que se viesse, chegaria aqui lá pelas onze da
noite. Pedi para ele vir, e ele disse que viria.
- Falou, mas ele só vai chegar onze horas ou mais. Lea achou
alguma coisa com o pai, que nunca liga pra ela e resolveu aparecer, então o que
me resta vai ser ir sozinha. – Me sentei no sofá com as mãos no rosto,
desanimada.
- Se colocar as mãos no rosto, vai desmanchar a maquiagem. –
Disse ele num tom terno – Você sabe que eu iria, se não fosse essa dor de
cabeça medonha que estou, eu iria com você. Você está linda, vá e se divirta um
pouco. – Ele sorriu e eu percebi que ele estava falando a verdade, eu não
poderia ficar enfurnada dentro de casa só porque eu não teria companhia no
trajeto até a festa. Lá provavelmente vai ter alguém, não é possível que eu
fique totalmente sozinha.
- Ah, obrigada, Stef. – Eu sorri e ele me surpreendeu com um
abraço, que eu retribuí sorrindo. Acho que esse menino está carente por causa
da mãe. Eu não digo isso a ninguém, e nem costumo ficar pensando, mas a minha
sogra sempre deu preferência ao Steven. Isso é evidente. Desde que começamos a
namorar, e pelo visto desde sempre. Com a rejeição parcial da mãe, só lhe
restou o pai, e depois que ele se foi, bem, o menino ficou sem chão. Eu e Stev
estávamos namorando não fazia nenhum mês quando isso aconteceu, e Stefan chorou
mais que qualquer pessoa de 16 anos que eu já vi chorar.
O vento lá fora estava congelante, uma espécie de neblina
tomava o chão. Quando saí do elevador, passei pela recepção do prédio, e
cheguei em direção à porta o vento soprou jogando meus cachos que estavam
soltos sobre os ombros para trás. Eu estava com um vestido de um ombro só, o
outro era coberto por uma manga comprida. E curto. Meus sapatos de salto alto
que uso só de vez em quando, e quando não estão sendo utilizados pela minha
vizinha/melhor amiga.
A atmosfera estava
estranha, parece meio mágico – pensei quando vi os grãos úmidos da neblina
brilharem com as lanternas do carro iluminando-as.
Ontem alguém ligou para a produtora de manhã e me deixou o
recado com o endereço de Bruno, explicando tudo. A casa dele nem é tão longe da
minha, menos de vinte minutos e eu já estava em frente daquele palácio. Se eu
achava que já tinha visto casas grandes, essa me surpreendeu. Estacionei o
carro atrás de um carro antigo, como aqueles das figurinhas vintages que se
veem por aí. Peguei minha bolsa de mão e saí do carro. Parecia que ali estava
ainda mais gélido.
Fui caminhando pela calçada cheia de ladrilhos de pedra que
brilhavam sob a luz da lua. E que lua, pensei. Ela estava linda hoje, digna de
uma foto, cheia como um prato de sopa. Os portões cinza-escuro da casa davam um
ar de privacidade exagerada, mas um deles estava aberto. E quanto mais fui me
aproximando, pude perceber que alguém estava ali. Caminhei com cuidado para o meu
salto-agulha não se enfurnar dentro de uma junta de duas pedras, e eu não
passar um mico no meio da rua e na frente da casa do Bruno Mars. Mas
felizmente, eu cheguei otimamente bem até o portão.
O cara de óculos grandes e sorriso simpático me esperava ali.
- Oi, Luna. – Me cumprimentou com um beijo no rosto.
- Oi, Philip. – Suspirei discretamente aliviada por me
lembrar de seu nome.
- Phil, por favor. – Sorriu – Vem, entra. – Colocou sua mão
direita no meu ombro esquerdo, que estava gelado por ser o ombro descoberto.
Passamos por uma garagem iluminada pela luz branca no teto,
depois saímos ao ar livre num jardim enorme. A alguns metros a frente estava
uma piscina, haviam plantas penduradas nas paredes e muita, mas muita gente.
- Tanta gente assim? Ele não disse que era alguma coisa
menor, só pra comemorar o início da produção do clipe? – Perguntei baixo.
- Tanta? Luna,
você não deve estar acostumada com festas de famosos. Aqui está realmente
pequeno, não tem nada comparado à uma festa grande mesmo. Quando Bruno quer
fazer festa grande, metade de Los Angeles cabe dentro disso aqui. – Ele riu, eu
sorri.
Fomos caminhando até algumas cadeiras que haviam na área
coberta por ali, na parede da área havia uma porta de vidro que provavelmente é
a parede do meu quarto, só que de vidro. De onde eu estava sentada, dava para
ver um jogo de cozinha totalmente branco e em algumas partes, mármore branco.
Eu nunca havia visto mármore branco. Na mesa de centro, estavam algumas
lembrancinhas do Havaí, como aquelas que compramos nas viagens dos caras que
ficam vendendo em calçadas, os camelôs.
Mal percebi e Bruno estava ao meu lado, com dois copos de
whisky na mão.
- Havaí. Já foi lá? – Olhei pra ele com os olhos arregalados
em parte pelo susto, ele sorriu.
- Hã? – Isso, pareça mais ainda uma retardada – Ah, não.
Nunca fui. Dizem que lá é lindo. – Ele assentiu e me ofereceu o outro copo em
sua mão, eu aceitei.
- E é mesmo... Aliás, já viu o Ryan hoje? Ele estava te
procurando. Você trouxe sua amiga?
- Não, para as duas perguntas. Minha amiga foi jantar com o
pai que não via a muito tempo, e meu cunhado que disse que viria comigo, estava
com uma dor de cabeça horrível e não deu pra ele vir. – Ele coçou a cabeça.
- Cunhado?
- É, o irmão do meu namorado... – Gesticulei com as mãos,
girando-as no ar.
- Você tem namorado? – Perguntou olhando as próprias mãos.
- É, tenho. E a propósito, eu queria falar com você sobre a
reunião de amanhã. – Comecei, eu tentaria falar pra ele minhas ideias.
- Hum, pode falar.
- Sabe, é que eu estava pensando que...
- Bruno, amorzinho, a bebida acabou naquela garrafa que você
nos deu. Onde tem mais? Venha buscar. – Uma moça loira, alta, com pouca roupa e
sorriso indecente o abraçou por trás.
- Judith, eu estava conversando com a Luana, mas tudo bem.
Vamos. – Se desvencilhou dela – Vou avisar ao Ryan que você está aqui, pode
deixar. – Disse isso e saiu sendo arrastado pela Judith.
Alguns minutos depois, Ryan chegou.
- Oi. – Disse sentando-se ao meu lado.
- Oi, Ryan.
- Quer beber alguma coisa? Comer alguma coisa? Dar uma volta
pela casa do Bruno? – Ele pareceu um garçom, me segurei para não sorrir – Acho
que daqui a pouco o Cam chega, ele disse que daqui da festa já vai viajar.
Sabe, com a filha. – Explicou e eu assenti.
- Comer algo não seria má ideia. – Disse e ele sorriu.
- Então vamos, ali no balcão de dentro tem uma tábua de
frios. – Adentramos na cozinha enorme e cheia de mármore e madeira brancos. Ele
me ofereceu uma tábua com queijos estrangeiros, alguns tipos de peito de peru
diferentes e bacon. Achei estranho ter bacon numa tábua de frios, mas não é meu papel achar nada estranho.
Foi quando nos encostamos no balcão alto e duro de pedra,
foi que pude observar sua roupa e tudo, e aparentemente ele também. Ele estava
com uma calça jeans larga, e tênis All-Star nos pés. E com uma regata um tanto
quanto ousada, que continha os dizeres "SEX, DRUGS AND RAP". E o
cabelo em trancinhas, foi o que achei mais exótico. Mas gostei.
- Você está linda. – Ele disse sorrindo.
- Ah, obrigado. Você também não está nada mal. – Sorrimos
novamente e ficou um clima desconfortável.
Depois de um tempo, fomos para fora. Havia uma rodinha em
que só haviam homens, todos juntos, e cantavam. Cantavam alguma música antiga,
Elvis talvez, ou então Beatles, não sei. Só cantavam. Pareciam um coral de
igreja que se via em filmes, de vez em quando um ou outro desafinava devido a
bebida. Mas logo voltavam a cantar como anjos numa capela.
- Rapazes, temos uma dama aqui. Se comportem. – Ryan disse e
eles riram.
- Mas quem é a bela donzela? – Um deles perguntou.
- Luna Sanders. A bela donzela que comanda tudo ao lado do
Duddy e é a bela donzela quem vai co-produzir o clipe de Gorilla, junto com ele
e Bruno. A donzela que manja das edições enquanto tudo o que vocês fazem é
cantar e beber. – Houve um coro de "uuuuuuuuh", como se isso fosse
uma tirada para o cara que perguntou.
- Obrigada pela apresentação, Ryan. – Disse um pouco mais
baixo, não aos quatro ventos, como o índio presente ao meu lado. Eles todos
abriram um sorriso pra mim, ao mesmo tempo, depois se olharam e caíram na
risada. Foi inevitável não rir.
2 comentários:
Simplesmente amando essa fanfic e super desconfiada desse "namoro perfeito" da Luna, maluca pra saber os babados!
Fico feliz de estar de volta, Carol, sua outra fanfic me conquistou totalmente!
Quero mais!! ♥
Carooooooooou zinha ndouasndisa :p poxa, eu amei mesmo esse capítulo, mas tu tá demorando demais e isso me zanga u.u Bruno tem que tomar uma iniciativa logo de cara, mas também penso no pobre Steven! Tomara que eles se ajeitem direitinho <3 Amei a Lea pedófila dnusayvbdnsamopn
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