quinta-feira, 27 de março de 2014

Capítulo Quatro

- Vai, vai, vai, vai, vai, vai. Um... Dois... Três. – Eles se preparavam para cantar, agora Bruno estava presente e Cameron também. Mulheres do tipo da Judith, que veio pegar Bruno aquela hora, já tinham ido embora. Sobrou algumas mais decentes, amigas, e alguns caras. Haviam casais em volta da piscina e nos sofás, então era melhor ficar sentada na cadeira, inclusa na roda. Eles me perguntaram qual é a música que eu mais gosto do Bruno, e eu disse que eu estava um tanto viciada em Treasure, e eles se preparavam para cantar. Mas devido a bebida, pela quarta vez eles chegaram no "três" e ao invés de cantar, gargalharam.

- Não, não, agora é sério. Vamos agradar nossa bela donzela. – Ih, virei donzela –, e vamos cantar em coro, como nos velhos tempos. – Um deles falou, o maior deles. Parecia um ogro, não era bonito, mas era grande.

- Cala a boca, Kam. É você quem tá desafinando. – Um baixinho falou. Coitado, já perdeu um membro, pensei após analisar a diferença enorme de tamanhos. O tal Kam só olhou para o baixinho com uma cara feia – coisa que não era dificuldade de se fazer – e virou a cara. Phil estava rindo de algo, totalmente bêbado.

- E lá vamos nós. – Alguém disse no meio.

- Eu já assisti esse episódio no pica-pau, cara – riu –, é muito engraçado. É aquele que a bruxa fala lá vamos nós porque perdeu a vassoura, não é? – Um cara com lábios inferiores avantajados demais e olhos grandes começou a rir, e perguntar. Só ouviram-se explodir gargalhadas, eu também ri bastante. – Ué, quê que foi? – Ele ainda perguntou, e depois riu.

- Treasure, that is what you are. Honey, you're my golden star. And if you can make my wish come true, if you let me treasure you... If you let me treasure oh oh ooooooohUma voz doce começou a cantar no meio das risadas, e foi cantando cada vez mais alto. A parte dos "OHs", todos cantaram em coro.

A voz era Bruno, e depois com todos juntos, ficou perfeito. Percebi que alguém gravava na outra ponta da roda, mas não era um dos cantores – You are my treasure, you are my treasure, you are my treasure, yeah you you you you are. – Continuaram todos juntos, foi a melhor parte da noite.

Com o tempo, o resto das pessoas se foram e sobraram só os integrantes da banda e algumas mulheres que eram aparentemente "amigas coloridas" ou namoradas deles. Já era quase meia-noite. Steven me mandara uma mensagem perguntando se estava tudo bem e que ele não poderia vir, mas no final da semana viria. Eu respondi que estava tudo bem, e que fiquei feliz por ele poder vir ao menos no fim de semana.

- Hey, vamos fazer um jogo? – James, perguntou. Sim, agora eu sei o nome de todos.

- Que jogo? – Perguntei, não querendo me intrometer, mas logo alguém perguntaria.

- Hum... Não sei. – Ele respondeu. Os rapazes tinham parado de beber um pouco, Bruno disse que a casa dele não é bar pra eles encherem totalmente a cara, só parcialmente. Então para não ficarem bêbados demais, eles pararam de beber álcool e bebiam apenas guaraná ou coca.

“É melhor você vir para casa, parece que o Stev está com febre.”

- Tenho que ir, rapazes. – Falei e eles olharam para mim. Cameron também se levantou, em sinal que também estava indo. – Meu cunhado está mal, tenho que ir mesmo.

- Não acredito, agora que íamos começar com um jogo? – Kam perguntou e cruzou os braços, fingindo estar emburrado. Dwayne deu-lhe um tapa na cabeça. Dei tchau a todos e fui andando até o portão, Phil – a propósito – me deu um abraço extremamente grande e apertado e antes de chegar até lá, Bruno correu até mim.

- Amanhã, que horas será a reunião? Eu já tenho umas ideias… - Ele pareceu entusiasmado.

- O horário que for melhor pra você, por mim qualquer um, mas preciso estar avisada.

- Hum... Às três? Pode ser? – Pensei por um momento, e às três estava bem.

- Pode, pode sim. Muito obrigada pela festa, senhor Bruno Mars. – Eu disse sorrindo, pois ele já havia dito para eu chamá-lo de Bruno.

- Não há de quê, senhorita Luna Sanders. – Deu um sorriso desafiador, eu apenas dei meia volta e saí.

Fui caminhando até meu carro pensando no que Stefan tinha, é claro que uma dor de cabeça ou outra é normal, mas minha mãe sempre diz que quando há febre há algo a mais. Dirigi o mais rápido que pude até em casa, estacionei o carro e peguei o elevador. Havia uma senhora que eu nunca havia visto, com umas sacolas estranhas, aliás, ela era estranha. Balancei a cabeça ao sair, para espantar os pensamentos sobre a senhora.

- Stefan, o que aconteceu? – Falei quando vi ele branco, mais branco que farinha. Me subiu um pânico pelo corpo todo. Lea saiu da cozinha com uma xícara, provavelmente chá, pensei.

- Eu falei que ele estava com febre só pra não te apavorar, ele também está com febre, mas parece um pouco pior. – Ela falou entregando a xícara. – Fiz um chá verde. Sua mãe disse que ajuda.

- Minha mãe? Ela ligou? – Perguntei.

- Não, ela disse isso faz tempo. – Explicou. – Ah, Stef... – Só agora eu percebi que ele estava com um balde, e depositando o que comeu na última semana dentro dele.

- Vamos pro hospital, agora. – Falei.

- Não, pode deixar que eu vou. Amanhã você tem reunião com o Bruno Mars e eu sei que um monte de coisa, deixa que eu levo ele. Pode dormir. – Lea falou, enquanto Stefan esbranquiçava mais, vomitando.

- Você sabe que eu não vou conseguir dormir com ele assim. – Apontei para Stefan. – Deixa que eu vou, vai dormir. – Ela negou com a cabeça.

- Vamos todos então. Vai se trocar enquanto eu tiro seu carro da garagem, depois leva ele. – Ela pegou as chaves do carro e saiu.

Falei para Stefan que já voltava e ele assentiu. Tirei meu vestido e coloquei uma calça, blusa, sapatilha e jaqueta. Voltei para sala e Stefan estava recostado no sofá, com os olhos fechados.

- Vamos? – Ele abriu os olhos.

- Claro. – Falou baixo, quase num cochicho.

Saímos em direção ao elevador, no momento em que estávamos descendo ele segurou no meu braço. Parecia nauseante aquilo para ele. Descemos e o carro estava lá na frente, entramos e Lea dirigiu direto para o hospital. Estava muito frio lá fora, uma brisa gelada balançou meus cabelos e fez Stefan bater os dentes, mesmo com uma jaqueta. Saber dirigir ela sabe, só não dirige. Fomos ao pronto socorro, que estava mais próximo que o hospital, e me sentei nas cadeiras de espera enquanto Lea conversava com a moça na recepção.

- Tem um médico de plantão, vamos vê-lo. – Ela avisou e eu assenti devagar, olhando Stefan.

Enquanto ele era levado para o consultório do plantonista, liguei para Steven e avisei o que estava acontecendo. Ele disse que já estava vindo, que apareceria de surpresa no meio da noite e por isso já tinha passado da metade do caminho. Disse que viria direto ao hospital para que eu possa ir descansar e ter ânimo para amanhã. Acho que nem com uma caixa de energético tenho ânimo pra amanhã, pensei.

Uns vinte minutos depois, Steven chegou. Eu já tinha cochilado na poltrona da sala de espera, e ele me acordou. Mostrei onde Stefan estava e ele foi até lá. Logo depois Lea voltou dizendo que Stev ficaria a partir de agora, Stefan passaria a noite tomando soro por estar desidratado demais. Ele pareceu mesmo desidratado demais, branco demais, vomitando tudo o que o preenchia.

 Fomos para casa e eu não consegui nem ver nada, ao chegar, deitei na cama e apaguei.

Eu definitivamente não estou disposta a ir trabalhar hoje. Pela janela entrava uma brisa fria, gélida. Me levantei e fui até o banheiro para escovar os dentes, depois de escovados, saí do quarto e fui para a cozinha. Tudo silencioso. Lea ainda deve estar dormindo, quando chegamos ontem já eram mais de duas horas da manhã. Olhei no relógio de parede e vi que eram nove e meia da manhã. De quinta eu entro às dez, então quer dizer que eu estou muito atrasada.

- Ah, que merda. – Xinguei enquanto corria para o banheiro.

Tomei um dos banhos mais rápidos da minha vida. Coloquei uma calça jeans, camiseta, jaqueta e sneakers. Corri para a cozinha e comi uma banana com aveia e mel, taquei tudo dentro de uma tigela e mandei pra dentro. Escovei os dentes novamente e saí.

No elevador estavam uma menininha e a mãe, o eletricista do prédio e um outro homem que eu acho que mora no terceiro andar também. A menininha tinha mais ou menos três anos, ou dois, então o elevador estava tomado por cheiro de criança. Tão bom. Era estranho como ficou tão frio de uma vez em Los Angeles, na semana passada o clima estava ameno, normal, mas nessa uma massa de ar frio veio com tudo. Olhei no relógio e eu tinha quinze minutos pra chegar na produtora, coisa que eu só conseguiria se voasse. E assim eu fiz. Voei.


- Você acha que ele vem pra casa hoje? – Perguntei.

- Ah sim, claro. E aí, acha que consegue voltar um pouco mais cedo? – Stev perguntou.

- Meu trabalho está quase pronto, tenho uma reunião daqui vinte minutos, e depois que acabar eu vou pra
casa. Sua mãe veio também?

- Não, ela estava enrolada com os trabalhos da comunidade e disse que sabia que eu cuidaria bem do Stef, então ela não viria. Sabe, ela nem pareceu tão preocupada quando eu liguei pra ela hoje mais cedo.

- Nossa, não? – Não se preocupar com o próprio filho já é demais, pode dar uma preferência para o outro até, mas quando um está no hospital deve-se mais amor. Pelo amor de Deus.

- Não, não pareceu. Mas você sabe, ela devia estar cansada e não conseguiu demonstrar que estava tão preocupada assim.

- Ah, claro…

- Amor, tenho que desligar porque o médico do Stef tá vindo, até mais tarde. – Ele avisou.

- Até mais.

- Te amo. – Ele desligou. E em seguida eu também.

Stefan está melhor, mas parece que pegou uma virose. Com esse tempo e o vento que tomei no ombro descoberto ontem, duvido muito que eu mesma não pegue uma gripe. 2h43, meu celular avisava. As reuniões são na sala de reuniões, ao lado da sala do Cameron. Eu estou morrendo de fome, pois não almoçara hoje. Tentei terminar tudo antes que desse a hora da reunião com o Mars, e consegui.

Fechei a última janela do computador e salvei o clipe. É de um grupo novo, Little Mix. A reunião com elas será amanhã, pra eu mostrar a elas o resultado. Têm uma música legal e tal, acho que não escolheram mal a carreira. Existem alguns cantores, que ficariam melhor como atendentes do Mc Donald’s.

- Ei, gata, o Bruno Mars já chegou. – Mark entrou falando. Somos amigos desde que eu comecei a estagiar aqui, mais de um ano. Ele não tem namorada, mas vive fazendo “limpas” nas baladas.

- Mas já? Faltam alguns minutos ainda, mas tudo bem. – Peguei o notebook e alguns papéis.

- Vou nessa reunião também, Cameron me mandou ir porque ele não confia muito no Bruno. – no Bruno?
Hã? – Vou ficar lá só observando e se precisar de alguma coisa, estarei lá.

- Bruno é o quê? Um delinquente? – Perguntei e ele riu.

- Acho que é pelo mesmo fator que você não me deixa muito tempo com a Lea. – Eu ri. Eu realmente não deixo ele sozinho com a Lea num ambiente fechado, ela acha ele lindo, e ele também, então nem sei o que pode dar. É claro que é brincadeira, mas sempre que ele vai lá em casa, os dois não ficam no mesmo cômodo sozinhos.

- Nesse caso, ele é um cara perigoso pelos seus tributos atrativos? – Perguntei e ele riu.

- Exatamente. – Ambos riram e saímos.

Fomos os dois para a sala de reuniões, mas Bruno não estava lá. Só Phil.

- Oi, sou o Mark. – Mark se apresentou.

- Ah, oi, Philip Lawrence. Mas pode me chamar de Phil. – Ele deu aquele sorriso simpático e singular, um sorriso “Philístico”.

- Oi, Phil. – Ele me abraçou brevemente.

- Oi, Luna. – Falou enquanto nos distanciávamos, me sentei ao seu lado, e Mark do meu outro lado.

- Ué, e cadê o Bruno? – Mark.

- Ah, ele. Ele… Ah sim, ele. Ai ai. – Phil riu – É uma história muito engraçada, vocês não vão nem acreditar
sabe… - Philip Lawrence estar-nos-ia enrolando?

- E cadê ele? – Eu perguntei.

- Ele? Ai, ele. – Phil desfaleceu os ombros e entortou os lábios.

- Aham, ele. – Concordei e Phil sorriu pouco à vontade. Onde será que estaria o Bruno?


Um comentário:

Thais Ferrer disse...

"um sorriso “Philístico”.
kkkk adorei. Onde esse anão se meteu em? Sera que dormiu com alguma vadea???

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